A Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), interessada na qualificação profissional dos seus atletas, assinou hoje um protocolo de formação com a Direcção-geral de Emprego, Formação Profissional e Estágios Profissionais.


Em declarações à imprensa, a directora-geral de Emprego, Formação Profissional (EFPEP) e Estágios Profissionais, Jacqueline Moniz, disse que a instituição que dirige põe à disposição da FCF um leque de ofertas formativas, as quais serão disponibilizadas conforme o interesse manifestado pelos jovens, em concertação com a entidade máxima do futebol no país.
Segundo aquela dirigente, o protocolo prevê que se criem turmas em determinadas áreas, por exemplo, nos sectores de electricidade, climatização e frio, a serem definidas pela FCF, e, depois, os interessados serão encaminhados para o Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial (CERMI) para se formarem.
Conforme explicou, o protocolo é aberto, o que significa que estará em vigor enquanto houver interesses de ambas as partes, ou seja, da DG de EFPEP e da FCF.
“Não podemos dizer que vamos deixar de financiar a formação dos jovens, porque estes estarão todos os dias a solicitar novas acções de capacitação para a melhoria das suas competências”, assegurou Jacqueline Moniz.
Asseverou, ainda, que, além das entidades públicas, esses jovens podem também ser formados pelos privados que estarão à disposição da DG de EFPEP.
Os jovens, prossegue Jacqueline Moniz, serão seleccionados de acordo com as suas habilitações literárias.
“Temos cursos para os jovens com diversos níveis de escolaridade, que vão desde quarta classe até ao 12º ano”, admitiu a DG de EFPEP, indicando alguns cursos, como a construção civil, a pastelaria e a agricultura básica.
Por sua vez, o presidente da FCF, Mário Semedo, considerou “histórico” no futebol cabo-verdiano a assinatura do referido protocolo, tendo em conta, afirmou, que se está a criar as condições para que os jovens atletas possam ter alternativas quando deixarem o mundo do futebol.
“Hoje, em Cabo Verde, o futebol é quase profissional e, quando um jogador se retirar ou tiver algum azar, atravessa situações muito difíceis”, reconheceu Mário Semedo, para quem uma formação profissional significa dispor de uma “ferramenta” que facilitará aos atletas entrar no mercado do trabalho de forma qualificada.
Para Semedo, tendo uma formação profissional, os jovens atletas terão “mais facilidade de entrarem no mercado do trabalho”.
Ivanir Rodrigues Monteiro Barreto (Bau) é o primeiro atleta a beneficiar deste protocolo e mostrou-se “satisfeito” pelo facto de estar a formar-se na área de canalização nível II.
“Já estou a pensar em deixar o futebol e, com uma formação profissional, posso trabalhar para sustentar a minha família e continuar a dar treinos aos meninos”, indicou Ivanir Barreto, apelando aos jovens a aderirem à iniciativa.
“Os atletas pensam apenas no presente e não se preocupam com o futuro”, lamenta Ivanir Barreto.
A formação que está a frequentar tem a duração de um ano e mais três meses de estágio.
LC/JMV
Inforpress