William Vieira, jovem, que já segue os jogadores cabo-verdiano pelo mundo há mais de 10 anos, estudioso do fenómeno desportivo, sobretudo a nível nacional, é taxativo em afirmar que a seleção nacional deveria testar outros sistemas táticos, no sentido de extrair mais e melhor proveito de jogadores internacionais por Cabo Verde e futuro integrantes no lote de convocados de Bubista.

Na opinião de Vieira, “o sistema 4-4-2 e 4-3-3 não é e nunca foi de todo, o melhor sistema tático para a seleção nacional”.

“Acredito que quando a FCF contratou um treinador para liderar a seleção, fê-lo em relação às características de toda uma geração de talentos que se tem despontado pelo mundo inteiro”.

Para o jovem escritor e atual colunista do jornal “expresso das Ilhas” afirma que, nesta nova geração de 2000-2005, a seleção apresenta de novo, as mesmas forças, com algumas ligeiras modificações, não fugindo à tradição, e que a única melhoria a registar é na baliza, com jovens talentos de enorme futuro.

“Temos excedentes de centrais, extremos e avançados, alguns Guarda redes com alguma margem que futuramente poderão assumir a baliza, porém, de novo, há uma grande lacuna que é sem dúvida, na posição de médios, mas sobretudo laterias e isso é notório”.

Não obstante, Vieira faz um contexto histórico alegando que “sempre a seleção nacional teve pouca alternativa para as posições de lateral na seleção nacional e que de uma vez ou outra, surgiam alguns, com alguma capacidade, mas fica e ficava muito aquém das outras posições”.

Por isso, William pontificou, com a sua opinião, que já é altura de fazer algumas alternâncias, não deixando o sistema clássico da seleção 4-4-2 ou 4-3-3, experimentando novos sistemas táticos como 3-5-2 ou 3-4-3, remetendo alguns jogadores de características mais ofensivos com algum espirito de equipa e capacidade defensiva para ocupar os corredores direito e esquerda, assim potencializando de forma positiva a seleção nacional.

O entrevistado demonstra que muitos jogadores atualmente no mundo do futebol que antes desempenhavam o papel de extremos, hoje jogam a todo o corredor na esquerda ou na direita, casos de Quadrado na Juventus, Jesus Corona do FC Porto, Fábio Coentrão ex Real Madrid, Valência Ex Manchester, Garet Bale do Real Madrid, entre vários outros atletas, na qual se destacaram enormemente na nova posição.

Vieira não tem dúvidas em afirmar que Hildeberto Pereira, Mailson e Vagner Goncalves são alguns novos elementos que poderão desempenhar esta posição com algum a vontade, um pouco diferente de alguns jogadores como Ryan, Nhuk, Garry, sobretudo baseando no jogo de equipa, onde têm alguma disponibilidade para serem mais médios alas do que apenas extremos. “Tenho a curiosidade em vê-los atuando num jogo a 3 centrais, posicionando nos respetivos corredores, seria algo novo em Cabo Verde”.

“O sistema 3 centrais não é um sistema desconhecido pelos jogadores cabo-verdianos, por exemplo, Ponck jogou muitas vezes no ano passado ao serviço do Basaksheir a 3 centrais, e neste ano, por exemplo Stopira, curiosamente joga hoje a central no Videoton. Acredito que os atletas, com algum tempo de treinamento, terão a capacidade de adaptar a qualquer posição, porém esta tática terá de ser feito por quem saiba introduzi-la, porque muda muito em relação aos 4 defesas. É um outro conceito”

Tendo seguido a carreira de centenas de atletas pelo mundo, William caracteriza a evolução de Hildeberto, Vagner e Mailson, 3 jogadores, na sua opinião, preponderante para um futuro jogo a 3 centrais.

“O Hildeberto Pereira é um jogador de enorme valência na equipa, recordo nos primeiros anos do Benfica, sub 19, depois B e por fim no mítico Nottingham Forest,  chegou a jogar muitas vezes a lateral, extremo ou qualquer posição onde fosse solicitado. É um jogador imprescindível para a próxima geração. Tem um baixo centro de gravidade, é forte no um para um, é agressivo quer a atacar e a defender e sabe jogar à bola. Seria de enorme ganho para a seleção nacional, sobretudo no sistema de 3 centrais mais a médio direita. Para além disso, formou numa das maiores escolas de futebol atualmente, a caixa futebol campus, a escola de formação do SL Benfica, onde atuou ao lado de jogadores como Renato Sanches, Thierry Graça (internacional A por Cabo Verde), Gonçalo Guedes, Nuno Santos, entre vários outros jovens promissores do futebol português e mundial. Tem selo pedigree”.

Vagner Gonçalves: “Neste momento, Vagner é um jogador muito diferente em relação ao período em que atuava no Gil Vicente, é uma força da natureza, com um jogo muito mais equilibrado e tático em relação ao passado. Prova disso foi ter estado no ano passado no Nancy por empréstimo do Saint Étienne, onde arrancou grandes jogos e em consequência valeu-lhe um contrato definitivo com o Metz, um grande clube formador do futebol francês e será uma grande oportunidade para Vagner Goncalves. Para além da força, é desequilibrador, é explosivo, poderá jogar todo o corredor esquerdo ou direito, procura sempre também jogos interiores, podendo até mesmo a jogar como 9,5 através de um ponta de lança.

Mailson: “Por último, Mailson, apesar de jogar num campeonato ultraperiférico, realizou na sua primeira internacionalização um bom jogo com a Argélia. Deu para ver que tecnicamente é um jogador com enorme margem de progressão, comprometido com os aspetos defensivos e coletivos da equipa e que hoje, fruto deste sentido de jogo, é hoje, capitão do seu clube. Para mim o campeonato arménio não é para o seu nível, está a sobrar naquele campeonato.”

Para Vieira, profundo conhecedor de atletas cabo-verdianos em todo o mundo, em todas as modalidades desportivas, desde o século XIX até hoje, afirma que vários talentos na posição de laterais têm estado em falta não só no futebol cabo-verdiano mas também no futebol internacional e estes têm sido de pronto, perdido para outras seleções europeias, como foram alguns casos em que Cabo Verde não teve a mínima hipótese, muito devido ao poderio das seleções europeias que conseguem convencer atletas como Ricardo Pereira, Thierry Correia, Ulisses Garcia, Nelson Semedo, Dos Santos, Miguel, Nelson, entre outros atletas em detrimento dos Tubarões Azuis.

Para finalizar, Vieira disse “que o mais importante ainda é o jogo coletivo, ter uma ótima seleção, sem níveis de egocentristas e individualidades, onde o jogo de equipa não pode ser posto em causa por nenhum jogador e que deve haver uma liderança hierárquica, começando por Bubista, o líder neste momento. Além disso, rematou que o espírito de todo o coletivo seja na horizontal, sem distinções de clubes, ilhas, ou status pessoais, permitindo assim, fazer uma excelente campanha de apuramento quer para a CAN quer para a Copa do Mundo.

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