Hoje o Académico é um clube que goza de uma grande popularidade, fruto de conquistas e algumas mudanças operadas nas últimas cinco épocas.

 Se tudo isso é motivo de orgulho e algum regozijo, convém realçar que se o clube começar a sentir-se confortável e sentar-se nos sucessos desportivos alcançados, corre sérios riscos de voltar aos velhos tempos de mediocridade e total fracasso.
Pois, os métodos aplicados e que conduziram a tais sucessos esgotaram-se, e é urgente um novo figurino.

O clube vai ter que apostar numa nova direção, com personalidade, maior dinâmica, outra visão, e o mais importante, com uma vontade enorme de adaptar aos novos tempos, porque hoje o modus operandi das organizações desportivas é outro, e constantemente em profundas transformações, e as que não adaptarem à essa nova ordem vão ter muitas dificuldades em poder competir.

Vê-se que clubes de maior sucesso em Cabo Verde são aqueles que progressivamente vem adoptando às novas regras, e para tal, possuem um presidente com muita presença, e sobretudo com muita paixão e determinação, e que aposta na busca de soluções, até para além das fronteiras do país, enquanto o nosso, com uma postura de passividade e de vítima, mal explora o mercado local.

O Académico tem sofrido com a total enércia dos seus dirigentes, principalmente do seu líder, que não estão muito empenhados em criar uma base forte que dê garantias de sustentabilidade, e criar estruturas, que porventura possam dar à organização uma certa estabilidade, e também fazer com que essa tenha uma maior participação na nossa sociedade, com inclusão de novas modalidades e introdução do aspecto cultural e social, que assim tornam o clube mais envolvente e com um maior número de participantes nas suas fileiras.

 Um clube de sucesso não é só o que ganha campeonatos, mas é sobretudo um clube estável e abrangente.

Criou-se um programa muito ambicioso, dentro dos parâmetros do que é o Académico, e apresentado ao presidente da direção para ser discutido com os restantes membros, e que se tal fosse emplementado, daria à organização um lugar ímpar no panorama desportivo, cultural e social, não só da ilha, mas também à nível do país.

Tal programa ainda não saiu do papel, ou por capricho, por desleixo, ou simplesmente por incompetência do presidente do clube.

Um outro aspecto de mudança, e que faz parte do adn de qualquer organização, é a transparência e o diálogo contínuo entre o seu presidente e os restantes membros da direção, para que juntos possamos edificar um melhor Académico, que alguns de nós sonhamos, em vez de retermos assuntos pertinentes ao clube só para consumo pessoal, ou que tais assuntos só são de conhecimento geral quando se está em apurros.

Até os estatutos da organização devem ser revistos, de modo a serem adaptados aos novos tempos, sobretudo no que concerne aos corpos gerentes.

O que vale tantos elementos numa direção, quando na verdade é só uns três ou quatro é que participam ativamente nas decisões do clube?

Essas e mais outras mudanças, que em tempos de eleições vamos apresentar, vão ser necessárias para um futuro de maior sucesso da organização.

A ordem é quebrar, de uma vez por todos, com a mediocridade e jamais voltar aos tempos em que só se falava do Académico por razões erradas.

Enquanto esperamos pelos ventos de mudança, apostamos fortemente numa equipa de futebol muito competitiva, com jogadores de qualidade, aliado ao facto de termos um treinador de atributos reconhecidos e que zela pelos interesses da equipa, o objetivo principal não podia ser outro, senão o tricampeonato.

Se tens ideias novas e com uma vontade enorme de ver o seu clube no caminho do sucesso disponibilize-se na formação de uma nova diretiva.

Orgulhamos de ser do Académico e lutar-nos-emos até à exaustão contra todos aqueles que tentam bloquear e boicotar o seu progresso, seja ele quem for.

 Académico 83, sempre!

Mário Costa