Opinião: Cabo Verde e o Mundial de Andebol 2021


Leonardo Cunha

Como os leitores já tem conhecimento, a nossa Seleção Nacional desistiu da sua participação no Mundial de Andebol de 2021 a ser organizado no Egipto devido a diversos casos de COVID-19 no seio da sua equipa.


Após a desistência por parte da Federação Cabo-verdiana de Andebol (FCA) da competição, a entidade organizadora (Federação Internacional de Andebol – IHF) emitiu um comunicado dizendo que “Na sequência dos desafios que a delegação cabo-verdiana enfrentou no 27º Campeonato do Mundo Masculino da IHF, que já levou ao cancelamento do jogo Cabo Verde x Alemanha, Cabo Verde informou oficialmente da sua desistência”.

De acordo com os regulamentos, cada equipa deve ter um mínimo de 10 jogadores, incluindo um guarda-redes. Na altura do jogo com o Uruguai, devido ao elevado número de jogadores com teste PCR positivo, Cabo Verde não cumpria estes requisitos.

A par disso, ficamos também a saber pela comunicação social várias outras informações que dizem respeitos às condições disponibilizadas pela organização durante o decorrer da competição. Foi alegado por um dos jogadores participantes que os atletas tinham estado fechados no seu quarto (na qual as refeições eram levadas) e só podiam sair para realização do teste PCR e para participar nos jogos da competição.

Á posteriori destes acontecimentos, a FCA emitiu uma nota de esclarecimento na sua página oficial do Facebook no qual faz várias interrogações. No final da nota faz a seguinte afirmação “o facto de não termos optado pela não continuidade na prova, não faz destes jovens vilãos, mas sim uns heróis, que merecem ser tratados como tal (…) mesmo sem recursos e com meios incomparavelmente menores do que as outras equipas que lá estiveram, se orgulha daquilo que é e representa.”

Considero-me neste momento alguém que consegue estar na posição de “não estar demasiado próximo do elefante” (poia quando estamos demasiado próximos do elefante, apenas conseguimos ver a textura da sua pele e não a forma completa do elefante). Em boa justiça, existem algumas elações que se podem retirar.

A primeira elação é que este é o primeiro campeonato do mundo do andebol que Cabo Verde participa e que é igualmente a primeira vez que participamos numa competição desta natureza numa situação de pandemia. Perante este cenário, a equipa que esteve no Cairo foi pioneira, e segundo sabemos, existiram igualmente seleções que não puderam participar no evento exatamente pelos mesmo motivos que Cabo Verde (e repare-se ainda tivemos a oportunidade de fazer um jogo contra a Hungria).

A segunda elação é que, mesmo com todos os esforços realizados para que todos os meios estivessem à disposição da nossa equipa nacional, numa situação de pandemia, eles serão sempre parcos e insuficientes devido á imprevisibilidade da missão desportiva.

A última e derradeira elação é que, este momento deverá para ser um momento de solidariedade com os nossos atletas, pois eu não me consigo imaginar estar a viver o “meu sonho” e este ser interrompido de forma tão incontrolável (e talvez injusta) como é o de ter o resultado de um teste PCR positivo que me impede continuar a sonhar.

Obrigado ao Andebol de Cabo Verde (aos que “lá estão” e os que “lá passaram”) por tudo o que fizeram para chegar onde chegaram e onde ainda almejam poder vir a chegar.

Leonardo Cunha


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